terça-feira, 8 de setembro de 2009

Planejamento: Projeto de Vida deve ser planejado

Em alguns momentos da vida paramos para avaliarmos como estamos conduzindo nossa trajetória como pessoa, também há os que são parados seja em decorrência de uma mudança inesperada em seu cotidiano como uma transferência, doença de alguém que é muito amado ou por estar doente, ter algumas perdas, demissões... são tantas as oportunidades que nos impulsionam a essa análise. Análise essa que sempre estamos relegando ao futuro.

Porque será que somos tão resistentes ao nosso planejamento?!?

Quando atuamos na vida corporativa, política e em tantas outras áreas, o planejamento é algo corriqueiro que nos permite organizar nossas atividades, desenvolver planos estratégicos, estabelecer metas e prazos. Normalmente uma vez ao ano nos trancamos em uma sala fechada, organizamos as idéias, pedimos opiniões, solicitamos participação e comprometimento das pessoas que farão parte desse contexto, mensuramos riscos e benefícios. Esse planejamento não é estanque e a cada trimestre revemos, alinhamos e implantamos de forma que os deadlines e os objetivos da empresa sejam alcançados. O planejamento é dinâmico assim como a vida!

Se o fazemos com perfeição para a empresa que atuamos porque é tão difícil transcendermos para nós mesmos?

O planejamento pessoal não deve apenas considerar o fator profissional, mas sim um planejamento voltado para um projeto de vida[1]composta de 4 fatores:

-Pessoal: Compreende o nosso autoconhecimento, nossos hobby, gostos e buscas individuais, como queremos nos ver daqui a 10, 20, 30 anos e como seremos lembrados por quem participa(ou) de nossa vida. Seremos lembrados como o amigo, o companheiro, o cúmplice, o cômico, o prestativo (...).

-Familiar: Dividiremos em duas partes a família de onde originamos e a família que ao longo da vida formamos, quanto tempo desprendemos a eles e qual é a qualidade desse tempo dedicado a essa célula, nossa dedicação deve ser de corpo e alma. De nada adianta estar presente, mas ausente para uma conversa, porque você está enfurnado na telinha da TV. O importante é que esse tempo dedicado a eles seja intenso e verdadeiro.

-Social: Voltado aos nossos lastros de amizades e nosso networking. Muitos dizem que amigo verdadeiro é uma raridade, será que estamos cultivando a amizade ou acreditamos que a amizade é uma mão de via única? Quanto de nosso tempo é dedicado às pessoas? O presidente dos EUA Obama dedica alguns minutos de seu dia contatando seus amigos e conhecidos, mesmo diante de uma agenda super comprometida. E nós, quanto nos dedicamos as nossas relações?

-Profissional: Profissional representa quase 70% do nosso tempo e na vida de muita gente o peso é maior, esse é o fator que nos proporciona equilibrar os demais fatores, por isso deve ser prazeroso e não penoso. E nunca deve ser considerado como uma tábua de salva vida que sem ela não existe sobrevivência. Quando a tábua é retirada de nossas mãos, saímos da zona de conforto e a nós é permitido notar o quanto somos inovadores, criativos e flexíveis diante das adversidades, qualidades em destaque no mundo corporativo. Será que temos planos B, C, D (...) para enfrentar uma mudança de rota? Quais são as ações que devem ser tomadas quando isso ocorrer ou quando você estabelecer que deve ocorrer?

Agora que conhece os fatores que não devem ser desconsiderados em um projeto de vida, tem a opção de escrever o seu planejamento pessoal.

Não deixe de considerar um ponto imprescindível, em seu planejamento, é que no futuro teremos a velhice e no final da trajetória nosso patrimônio serão nossas memórias:

“O grande patrimônio do velho está no mundo maravilhoso da memória, fonte inesgotável de reflexões sobre nós mesmos, sobre o universo em que vivemos, sobre as pessoas e os acontecimentos que, ao longo do caminho, atraíram nossa atenção”.[2]









[1] DINSMORE, Paul Campbell. “Projeto Você”. Revista Você S/A. São Paulo, setembro/2006 .
[2] BOBBIO, Norberto. “Diário de um século: Autobiografia”. Tradução Daniela Beccacia Versiani. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

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