Acaba de iniciar a noite, chamo um táxi para voltar para casa depois de mais um dia, ao entrar no carro me deparo com um senhor corpulento e muito simpático.
Começamos a conversar sobre amenidades até chegarmos a um assunto que provavelmente chega a ser um desabafo, começo a me ater as mazelas humanas que dificilmente notamos por ser algo tão comum aos nossos olhos, mas que na verdade não deveria ser e aquela troca de percepção com o taxista, passa a ser uma reflexão a ser feita.
Aquele senhor trabalhador com seus 50 anos, medindo cerca de 1,80 m e com seus 189 quilos, que mal cabem no seu assento, falando sobre a obesidade, suas limitações, sonhos e o preconceito que o acerca.
Em um dado momento ele me disse:
“ A senhora sabe como é o preconceito, as pessoas falam de você, zombam e acreditam de fato que somos culpados pelo nosso estado, luto incessantemente para tentar reduzir meu peso, mas é difícil.
Isso não é nada, imagina não podemos ir a um bar, porque normalmente as cadeiras de plástico agüentam apenas 110 quilos, ônibus então começo até suar frio, imagina que você ocupa dois lugares e todos ficam olhando com ar de reprovação e as roupas essa é fácil de achar, mas o custo normalmente são 3 vezes a mais do que as de nº usuais.
Eu me encorajo, mas as vezes é muito difícil ir a frente e continuar dando um passo de cada vez, mas uma coisa eu garanto eu não perco a felicidade de viver quero ficar velhinho e aproveitar muito mais a vida, também não sou preguiçoso faço tudo que está ao meu alcance, tenho que tomar mais cuidado, porque uma fatura pode atrapalhar tudo, não tenho mais tanta agilidade, mas em contrapartida ainda sou flexível, consigo amarrar meus próprios sapatos”.
Em uma conversa informal notamos como somos rudes com nossos semelhantes, não damos ouvidos aos seus sentimentos, será que não é porque normalmente não nos atentamos aos nossos sentimentos? Esse senhor que com tantas limitações, vida social comprometida sobre alguns aspectos, mas com tanta alegria de viver, sofre críticas constantes e quantas nós já não fizemos o mesmo, sem reconhecer a real situação da pessoa, porque não nos remetermos a um antigo ditado: “Todos vêem os tragos que bebemos, mas ninguém vê os tombos que tomamos”, é bem por ai.
Quem já não perguntou porque aquela velhinha debilitada que está faceira caminhando na rua não está em casa, ao invés de estar andando lentamente na rua atrapalhando nosso caminho ou no metrô ocupado um lugar que eu poderia sentar porque estou exausto do trabalho, dentre tantas outras situações.
E quantas vezes você pensou naquela mesma velhinha, que ela está superando suas limitações, apesar das debilidades do corpo, ela tem uma alma jovem, que não rende a idade, mas que vive cada gota de vida que é permitido viver ou que daqui há alguns anos poderá alcançá-la na idade e como será que irá desejar viver.
Em uma análise muito particular creio que seja muito mais fácil criticarmos o outro, as coisas e as situações, do que vermos os pontos positivas que estão a nossa volta, os casos de sucesso que estão bem próximo de nós, em nossa família, vizinhos e amigos. O importante não é ignora o que ao nosso filtro é inadequado, porque podemos nos ajudar e ao próximo sinalizando algo que o incomode, mas a forma de apresentar deve ser amorosa, porque você gostaria de ouvir aos gritos “ Como você é presunçoso! Nunca vê perspectiva na vida! È um traste que de nada serve!”, mas será que os risos e a alegria que ele transmite não são mais importantes a serem ressaltadas?
Como diz um dos meus irmãos “ Você já pensou que as minhas ansiedades são bem diferentes das suas? Quero viver de uma forma mais modesta, isso me faz feliz”. É isso, amar os outros pelo que são, por suas essências, sua história, suas características marcantes, por suas escolhas e não pelo que acreditamos ser melhor a eles.
Aquele taxista me ensinou em poucas palavras e pelo seu relato de vida, que apesar dos tombos e das críticas do mundo, não devemos nunca deixar de nos amar, de saber ouvir e perceber o que é útil a nós e vai de encontro com nossos desejos.
E há o incomodo do outro, pode ser que ele também esteja tendo a possibilidade de perceber a si próprio e a amar.
Curiosidade:
Obesidade Mórbida: É uma doença crônica, progressiva, fatal, geneticamente relacionada e caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura e desenvolvimento de outras doenças (co-morbidades) e depende de vários fatores para se desenvolver: a genética da pessoa, fatores culturais e étnicos, sua predisposição biológica, estilo de vida e hábitos alimentares. A obesidade é reconhecida como um importante problema de saúde pública.
Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, demonstra através de estudo que um aumento de 20% ou mais acima de seu peso corporal ideal significa que o excesso de peso tornou-se um risco à saúde. Importante sinalizar que a Organização Mundial de Saúde (OMS), indicou que a obesidade é um problema que atinge dezenas de países.
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