quarta-feira, 16 de março de 2011

Transformação

Fecho os olhos para tentar descobrir em que momento posso ter deixado o tempo ter passado, ainda tenho tantas coisas que quero viver, não são as rugas dos meus cinqüentas anos que me incomodam, mas a idéia de ter migalhas do tempo para sobreviver.

Há anos o meu peito ansioso não me permite meditar e nunca quer silenciar, são muitos pensamentos tirar dinheiro para pagar a empregada, comprar lâmpada porque faz uma semana que está queimada, prepara a apresentação para a reunião com a diretoria, não esquecer do aniversário da cunhada (...) e algumas vezes o sentimento de que por mais que se faça há um milhão de coisas a serem feitas.

Quem nunca quis que o dia tivesse 28, 30 horas e porque não 60 horas, quanto menos esperamos, nos damos conta de olhamos para traz e a surpresa é estupenda, quando nos deparamos com a analise do que realmente importa não para sociedade, nem para o outro, muito menos para as aparecias, mas o que importa para mim!?!

O que construí de bom? Quero fazer tanto mais coisas? Quem sabe viajar para Bangladesh ou Turquia, mas nunca tirava férias à não ser aquelas picadas, 1 semana aqui para não explodir ou para resolver alguma coisa para a família, como correr atrás da documentação de um inventário ou do imposto de renda que ficou retido há uns dois anos e agora veio uma tal multa imensa.

Há ainda aquela vontade que lá atrás um dia, eu e meu marido tivemos que era a de ter filhos, mas nunca tínhamos tempo para nada, o stress e o cansaço eram tanto que muitas vezes quando chegava em casa era um dos dois que estava dormindo profundamente, para afastar as cobranças e tentar descansar. Primeiro queríamos acabar de pagar a casa para dar mais conforto para os pimpolhos, depois não era possível às probabilidades de crescimento na empresa eram tantas que precisamos nos dedicar para quem sabe conseguir a sonhada promoção.

Para minimizar a lacuna do filho e como a vida não resume apenas entre duas pessoas, a gente sempre encontra uma saída que é a grande sacada da vida, porque não comprar um cachorro que depois passa a ser tratado com pompas e todos os cuidados, como o pobrezinho passa sozinho por horas e para que ele não fique depressivo passamos a comprar até florais para o cãozinho.

Com isso os óvulos já estão velhos e o sonhado filho passa a ser um milagre se alguma das clínicas de reprodução conseguirem uma proeza. Alguns de meus amigos conseguiram e eu então passei a sonhar com a aposentadoria e porque não conseguir o descanso merecido ao lado de quem dividiu uma vida com a gente. Mais uma escolha dentre tantas outras que não sei se foram certas, mas que com certeza abracei como se fosse a verdade única. Entretanto, um dia ao despertar tomo ciência que das minhas mãos foram levado um sonho mais, a separação ou a morte conduzem uma nova transformação.

Começar de novo, apesar de na alma me sentir muito mais preparada para a vida, mais serena, responsável, meu corpo não diz o mesmo e meus amigos podem me achar uma louca por eu haver decidido não ser convencional e sim querer romper os dias de forma diferente.

O celular? Onde está? Porque eu não troco essa bolsa por uma menor? Reunião em 05 minutos, eu tenho que parar de divagar, com tantas coisas para fazer e eu aqui, não está fácil uma cinquentona manter o emprego, com tantos jovens com 5 idiomas, pós no exterior e que aceitam receber metade do que eu ganho, sem dizer que matamos um dragão por dia.

Boa tarde, senhores, eu quero me apresentar...

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